terça-feira, 24 de abril de 2012

Dengue em Criança - Caso Clínico 3

Dengue em Criança - Caso Clínico 3

Identificação – E.R.S., 14 meses de idade, feminino, residente em Boa Vista, encaminhado do serviço de urgência em 12/5/2003, às 17 horas, para o hospital de emergência.
 
História da Doença Atual – Início do quadro há seis dias com febre alta, tosse e dispnéia. No 2º dia de doença, procurou o serviço de urgência sendo diagnosticado pneumonia. Conduta Terapêutica e Evolução - Foi medicado com azitromicina e fez uso por dois dias. Não apresentando melhora, procurou novamente o serviço sendo aconselhada a continuar com a medicação. No 5º dia de evolução surgiram petéquias, inicialmente nos membros inferiores que se disseminaram rapidamente, inquietação, choro fácil. Ocorreu piora do estado geral e desaparecimento da febre.
 
Antecedentes Pessoais - Bronquite e pneumonias. História de doença exantemática na família (mãe e prima) em 27/4/03.
 
Exame físico Em(12/5/03), peso: 10kg, temperatura axilar de: 35,4ºC. Presença de lesões petequias por toda a superfície corporal, Ausculta cardíaca: sem alterações.
 
Ausculta Pulmonar: presença de roncos disseminados, Abdome: globoso, fígado palpável a 2cm do rebordo costal direito.
 
Resultado de Exame - Plaquetas: 51.000/mm3.
 
Questões
1. Quais são as hipóteses diagnósticas para o caso a partir do quinto dia de doença?
2. Destaque cinco elementos no quadro clínico que sustentam suas principais hipóteses diagnósticas.

Respostas
Resposta 1
a) Dengue
b) Influenza
c) Pneumonia
d) Farmacodermia
e) Malária (conforme situação epidemiológica)
f) Meningococcemia
 
Resposta 2
a) Dengue: epidemiologia, febre, cefaléia, artralgia, petéquias, inquietação, choro fácil e hipotermia.
b) Influenza: tosse, febre alta, dispnéia; alteração da ausculta pulmonar.
c) Meningococcemia: febre alta, petéquias, choro fácil, inquietação.

Hipóteses Diagnósticas – Farmacodermia, meningococcemia, malária e dengue.Foi solicitado: hemograma, transaminases, albumina.
 
Conduta Terapêutica - Encaminhada para internação com hidratação oral e sintomáticos.
Resultado de Exames - Em (12/5/03), Leucócitos:12.300mm3; Ht:27,9%, Plaquetas:37.000/mm3, Albumina: 3.0g/dL.
 
Exame Físico Geral – Em (13/05/03), criança afebril, chorosa, largada, petéquias difusas sem outros sangramentos. Fígado palpável e doloroso a 2cm do rebordo costal direito.
 
Resultados de Exames – Em (13/5/03), Ultra-sonografia: hepatomegalia e espessamento de parede de vesícula. Presença de pequena quantidade de líquido em cavidade abdominal.Rx tórax: discreto infiltrado bilateral, ausência de condensações. Pesquisa de plasmodium – Negativa, Leucócitos: 8.500/mm3, Ht: 29,8%, Hb: 10.0g/dL; Plaquetas: 35.000/mm3.
 
Conduta Terapêutica - Prescrição após resultado dos exames – hidratação venosa: soro fisiológico – 200ml (fase rápida 20ml/kg em 20 minutos) em 3 fases. Controle hídrico, registrar sangramentos, Pressão arterial de 4/4 horas, não administrar medicação intramuscular.
 
Evolução - 14/5/03 – Paciente com melhora aparente da distribuição petequial, boa diurese, ausência de tosse, dispnéia ou febre. Exames laboratoriais: Ht: 27%, Plaquetas: 119.000/mm3 e albumina: 3.3g/dL.
15/5/03 – Alta hospitalar para acompanhamento ambulatorial.
25/5/03 – Resultado da sorologia para dengue IgM positivo.
 
Questões
1. Comente a conduta tomada no dia 13/5/2003.
2. Dê o estadiamento clínico no dia 13/5/2003.
3. Qual a classificação final do caso?
4. Comente a conduta tomada para o caso, durante a internação. Você faria diferente?

Respostas
Resposta 1
O paciente apresentou aumento de hematócrito mesmo com hidratação oral. A conduta de hidratação venosa e monitoramento clínico foram adequados.

Resposta 2
Grupo C.
 
Reposta 3
- FHD – Grau III
 
Resposta 4
A conduta do dia 12/5/03 foi inadequada, pois a paciente apresentava petéquias, e sinais de
alarme (hipotermia).

Dengue em criança - Caso Clínico 2

Dengue em criança - Caso Clínico 2

Identificação – E.E.S, masculino, 4 anos, morador de Vitória,Espírito Santo, no dia 5/2/2003 (pico da epidemia de dengue na cidade) deu entrada no Hospital de Emergência, apresentando petéquias em tronco, face, membros inferiores e choque.
História da Doença Atual – Segundo informação da mãe,os sintomas iniciaram no dia
4/2/2003 com febre, cefaléia, mialgia e “manchas avermelhadas” em orofaringe, com agravamento do quadro clínico horas antes de ir ao hospital.
Exames Complementares – Na emergência foi coletado material para hemograma e se obteve o seguinte resultado: Leucócitos: 4.400/mm3, Ht: 36 %, Plaquetas: 51.000/mm3.
 
Questões
1. Cite pelo menos cinco hipóteses diagnósticas para o caso.
2. Destaque os elementos no quadro clínico e laboratorial que sustentam as suas duas principais hipóteses diagnósticas.

Respostas
Resposta 1
a) Dengue
b) Doença Meningocócica
a) Choque séptico (Staphylococus sp., Streptococcus, Haemophilus sp.)
d) Riquetsioses
e) Diagnósticos diferenciais regionais
 
Resposta 2
a) Dengue: febre alta, cefaléia, mialgia, artralgia.
b) Meningococcemia: no primeiro dia da evolução apresentou choque (velocidade de evolução), petéquias.
c) Sépsis: febre, equimoses e evolução para choque.
d) Riquetsiose: febre, mialgia e cefaléia (dependendo da situação epidemiológica do local).

Hipóteses diagnósticas – O médico fez hipótese diagnóstica de dengue grave, baseado no hemograma e quadro clínico.
Evolução e conduta – Foi coletado material para confirmação laboratorial para dengue.
Após duas horas de internação evoluiu com PCR, feito manobras, não obtendo êxito.
Choque e óbito. O médico da emergência imediatamente ligou para a vigilância epidemiológica para notificar o caso de óbito por FHD, baseado na plaquetopenia e situação epidemiológica local. A epidemiologia discutiu outra hipótese diagnóstica e solicitou uma punção liquórica pós-morte para ser encaminhada para o Laboratório de Referência do Estado.
Os fatos – Os resultados laboratorias foram: Bacteriscopia –Diplococos Gram Negativo, Cultura de 24Hs – Neisseria meningitidis B. Resultado obtido pela técnica do PCR – Neisseria meningitidis B sorotipo B47OP11915.
Questões
1. Comente a evolução dos parâmetros laboratoriais. São compatíveis com suas hipóteses diagnósticas iniciais?

Respostas

Resposta 1
A evolução dos parâmetros laboratoriais foi compatível com a hipótese de meningococcemia.

Dengue em Criança - Caso Clínico 1

Dengue em Criança - Caso Clínico 1

Identificação – K.G.R.A, feminino, 4 anos de idade, residente no Município A, Bairro Nova América.
História da Doença Atual – Foi atendida na unidade básica do Programa de Saúde da Família no dia 21/12/2005, com história de dois dias de febre, recusa alimentar, hipoatividade e tosse esporádica. A mãe relata que hoje observou manchas vermelhas pelo corpo da criança. Nega vômito, diarréia ou outros sinais e sintomas.
 
Exame Físico Geral - Regular estado geral, hidratado, acianótico, eupnéico,anictérico e temperatura axilar de 39°C. Pele: exantema do tipo morbiliforme mais evidente em face e tronco. Orofaringe: hiperemiada. Otoscopia: sem alterações. Ausculta pulmonar: murmúrio vesicular presente sem ruídos adventícios. Ausculta cardiovascular: rítmo cardiaco regular, bulhas em dois tempos, normofonéticas, sem sopro. Abdome: normotenso, indolor, sem visceromegalias, ruídos hidro-aéreos presentes e normais. Neurológico: sem alterações.

Perguntas
1. Quais são as hipóteses diagnósticas que você faria para este caso?
Diagnóstico diferencial de síndrome febril aguda com exantema.
2. Há alguma informação adicional da história clínica que você considera relevante e que não foi obtida? Se sim, diga qual (quais).

Respostas
Resposta 1
a) Escarlatina, parvovirose, sarampo, dengue, enteroviroses e outras viroses (Mayaro,Oropouche)
b) Farmacodermia
 
Resposta 2
a) Sarampo: situação epidemiológica, antecedente vacinal e de infecção.
b) Dengue: antecedente epidemiológico.
c) Prova do laço (discutir limitações: a prova é um indicador de fragilidade capilar, podendo ocorrer em diversos agravos)
d) Uso pregresso de medicamentos.

Conduta Diagnóstica – O médico fez inicialmente hipótese diagnóstica de amigdalite estreptocócica. No retorno com 48 horas foi levantada a hipótese de dengue. Solicitado hemograma, sorologia e isolamento viral para dengue.
 
Conduta Terapêutica – Conduta inicial com eritromicina e dipirona. No retorno com 48 horas não havendo melhora do quadro, suspendeu eritromicina. Observação com hidratação oral e sintomáticos até resultado do hemograma.
 
Evolução – No retorno com 48 horas, apresentava vômitos (com cinco episódios ao dia), mantendo febre alta, cefaléia e exantema generalizado. A mãe refere que há mais ou menos oito dias esteve em Tocantins juntamente com a criança, onde relata casos semelhantes.
Após observação por quatro horas, houve melhora clínica, tendo alta com orientações sobre sinais de alarme e reavaliação com 24 horas.
 
Exames complementares – Leucócitos 6.000/mm3, Ht 34%, plaquetas 132.000/mm3.
 
Os fatos – O resultado da sorologia foi negativo e do isolamento viral só foi processado após três meses pelo Laboratório de Referência, em função de problemas técnicos. Como resultado, foi isolado Den-3. Pelo atraso do processamento do exame, a vigilância epidemiológica não foi capaz de detectar precocemente a introdução do vírus.


Dengue - Caso Clínico 5

Dengue - Caso Clínico 5

Identificação – D.V.S., masculino, 55 anos, motorista, residente em Goiânia, GO.
História da Doença Atual – Em 27/12/01 deu entrada no Pronto Socorro, trazido por familiares, referindo um episódio de fezes enegrecidas, dor abdominal intensa, sensação de desmaio e aparecimento de manchas roxas pelo corpo. Referiu que há quatro dias iniciou febre não aferida, cefaléia frontal, mialgia generalizada, náuseas e vômitos. A esposa referia que o paciente era etilista crônico e portador de úlcera péptica, com episódios esporádicos de hematêmese.Negava viagens nos últimos dois meses e episódio anterior de dengue, relatava ser vacinado contra febre amarela em 2000. O paciente trabalhava como coveiro no cemitério da cidade. A esposa referia presença de ratos no domicílio.
Exame Físico Geral - Mau estado geral, desidratado ++/4, agitado, anictérico, acianótico. Temperatura axilar de 37,5ºC, PA deitado: 80x40mmHg. PA sentado: 60x? mmHg. Pulso: 120ppm. Peso: 78kg. Pele: petéquias e sufusões hemorrágicas difusas em tronco e em face. Segmento cefálico: hemorragia subconjuntival e gengivorragia. Tórax: murmúrio vesicular diminuído à ausculta, frêmito toráco-vocal diminuido à palpação e submacicez a percussão em base direita. Coração: bulhas taquicárdicas, dois tempos. Abdome: doloroso à palpação profunda, sem visceromegalias. Neurológico: rigidez de nuca presente ++/4. Prova do laço positiva.
Exames complementares – Hemograma: Hb: 8,9g/dL, Ht: 32%, Plaquetas: 11.000/mm3, Leucócitos totais: 1.900 cels/mm3 , bastões: 2%, segmentado: 26%, linfócitos: 40%. Líquor: aspecto hemorrágico, xantocrômico com depósito de hemácias, citometria: 150 leucócitos/mm3, 32.000 hemácias/mm3, glicose: 62mg/dL, proteínas: 150mg/dL; bacterioscopia negativa. Coagulograma: TP: 21segs; Tempo de atividade de protrombina: 45%. AST(TGO): 59 UI/l; ALT(TGP): 148UI/l; Sódio: 129mEq/L; Potássio: 3,0mEq/L; Cálcio: 9,0mg/dL
Questões
1. Quais são as hipóteses diagnósticas para o caso?
2. Se caso suspeito de dengue, qual o estadiamento?
3. Comente o atendimento do paciente. Você teria outra abordagem clínico-laboratorial?

Respostas
Resposta 1
a) Doença meningocócica
b) Sépsis de etiologia bacteriana
c) Dengue (FHD ou dengue com comprometimento encefálico)
d) Leptospirose
e) hepatopatia crônica com reagudização, abdome agudo hemorrágico (úlcera péptica),
pancreatite necrohemorrágica.
Resposta 2
Febre Hemorragica da Dengue (FHD), GRUPO D
O Hematócrito está baixo devido ao sangramento
Considerar a semiologia de derrame pleural como indicativo de extravasamento plasmático.
Resposta 3
a) Realizar Rx de tórax para investigar derrame pleural.
b) Solicitar exame de uréia, creatinina, amilase e albumina.
c) Melhor abordagem para investigação da hepatopatia.
d) Avaliar a necessidade de realização da punção liquórica (paciente com plaquetopenia).

Conduta Diagnóstica – O paciente foi internado com as hipóteses diagnósticas de Síndrome Hemorrágica aguda a esclarecer e Meningite meningocócica.
Conduta Terapêutica - Foi iniciada a reposição volêmica com Soro Ringer Lactato – 500ml, NaCl 20% – 10ml, KCl 10% – 10ml IV, 40 gotas por minuto em quatro fases; dexametasona 4mg de 6/6 horas, ceftriaxone 2g de 12/12 horas; dipirona, metoclopramida e cimetidina.
Foram ainda solicitados 14U de concentrado de plaquetas e 2U de concentrado de hemácias.
Exame Físico - Após quatro horas de evolução, o paciente apresentava-se, torporoso, afebril, má perfusão periférica. PA deitado: 70 x 40mmHg; FC: 120bpm. Foi entubado e colocado em ventilação mecânica. Não foi possível realizar a transfusão, devido à falta de acesso venoso. Com seis horas de evolução, apresentou parada cardiorespiratória, sem resposta às manobras de ressuscitação.
22/2/2001 - Resultado da imuno-histoquímica positivo para dengue.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dengue - Caso Clínico 4

Dengue - Caso Clínico 4

Identificação – D.M.D.,feminino,23 anos,residente em Aparecida de Goiânia,GO.

História da Doença Atual - Paciente procurou o Pronto Socorro em 8/2/2001 referindo que há quatro dias teve início de febre, cefaléia, mal-estar geral, náuseas, um episódio de vômito e dor abdominal foi medicada na UBS com sintomáticos, com melhora do quadro. 
No dia 8/02/01, no Pronto Socorro refere piora dos sintomas com vários episódios de vômito e intensa dor abdominal. A avaliação às 14 horas era a seguinte:

Exame  Físico  Geral  -  Regular  estado  geral,  corada,  desidratada  +/4,  anictérica. 
Temperatura axilar de 37,2ºC, PA deitada: 110x70mmHg; Freqüência cardíaca: 96bpm, Peso: 55 kg. Pele: sem lesões. Segmento cefálico e tórax: sem alterações. Abdome: dor à palpação profunda, principalmente em fossa ilíaca direita,ruídos hidro-aéreos presentes e diminuídos, ausência de visceromegalias, sem dor à descompressão brusca, submacicez à percussão de flanco (?). Neurológico: sem alterações. Paciente referiu tontura ao se levantar para a coleta de exame de urina.

Exames  Complementares  –  Hemograma:  Hb:  12,8g/dL;  Ht:  50%;  Leucócitos  totais: 3.900/mm3,  Plaquetas:  51.000/mm3.  Exame  de  urina:  Densidade:  1.035;  piócitos:  -5/campo (normal: - 5/campo); hemácias: 700.000/mm3; muco ++; células epiteliais: ++, proteínas: +; Hb: ++. Ultra-sonografia de abdome: presença de grande quantidade de líquido em cavidade abdominal; vesícula biliar distendida, paredes grossas e conteúdo anecóico.

Questões
1. Quais são as hipóteses diagnósticas para o caso?
2. Se caso suspeito de dengue dê a classificação estadiamento
3. Comente o atendimento do caso. Você teria uma abordagem clínica diferente?
4.  Destaque  quatro  elementos  da  história  clínica  que  você  considera  potenciais 
indicadores de gravidade neste caso


Resposta 1
a) FHD, Sépsis (foco abdominal), Colecistite acalculosa, ITU, Anexite, Prenhez ectópica 
rota. 

Resposta 2
Grupo C

Resposta 3
Aferir PAem 2 posições.
Prova do laço.
Diagnóstico específico – poderia ser solicitado o isolamento viral.
Melhor avaliação para abdome agudo.
Verificar a contagem diferencial de leucócitos para avaliar o diagnóstico diferencial com 
doenças bacterianas.

Resposta 4
a) Dor abdominal intensa
b) Vômitos persistentes
c) Lipotímia – tontura ao se levantar
d) Ascite – submacicez à percussão de abdome
·
 Lembrar que os derrames cavitários são de pequena
monta, difíceis de serem detectados ao exame físico
e espessamento de parede vesicular pode ocorrer em
até metade dos pacientes.


A paciente foi internada para avaliação. Às 19 horas, com base no quadro clínico e laudo de ultra-sonografia, foi feita a hipótese diagnóstica de abdome agudo – apendicite aguda (?). 
Solicitados RX de tórax e de abdome, em pé e deitada. Duas horas após a internação, durante  a  realização  do  RX,  a  paciente  apresentou  novo  episódio  de  lipotímia  e  foi reavaliada pelo médico de plantão. 

Exame Físico Geral - Ao exame apresentava-se desidratada +/4, queixando-se de intensa dor abdominal, PA deitada: 90x60mmHg. PA sentada: 70x40mmHg. Pulso: 110ppm. RX de tórax e abdome: nada digno de nota.
Dos Fatos - O plantonista inqueriu os familiares a respeito de casos de dengue no bairro ou na família. A mãe recordou que a paciente havia estado 6 dias antes do início dos sintomas na casa da tia, onde três primos estavam com sintomas de dengue (SIC).
Conduta – Solicitados novos exames e prescrito Ringer Lactato 1.000ml em 1 hora e, a seguir, 1.000ml em 4 horas. Coletado sangue para isolamento viral de dengue. Ht: 55%; Plaquetas: 30.000/mm3.

Exame Físico Geral - Cinco horas após a internação o exame físico revelava: PA deitada: 100x60mmHg; sentada: 95x60mmHg; Pulso: 100ppm. Apresentou diurese de 100ml desde as 21 horas do dia anterior. Mantida hidratação intra venosa com soro fisiológico 1.000ml em 4 horas. Dez horas após a internação apresentava: PA deitada: 110x65mmHg, sentada: 110x65mmHg, Pulso: 88ppm. Melhora da tontura e da dor abdominal.

Terceiro  dia  de  internação  -  Paciente  evoluindo  bem,  afebril.  Ht:  44%;  Plaquetas: 40.000/mm3.No 4º dia de internação, paciente evoluindo bem, afebril, boa diurese, melhora dos  sintomas.  Ht:40%.  Plaquetas:  76.000/mm3.  Alta  hospitalar  com  seguimento  no ambulatório. Resultado do Isolamento Viral: DEN 2.

Baixe: Protocolo atendimento dengue



domingo, 22 de abril de 2012

Dengue - Caso Clínico 3

Dengue - Caso Clínico 3

Identificação – J.J.S., masculino, 48 anos, caminhoneiro, negro, residente em Campo Grande, MS.
História da doença atual – Em 5/2/2005 procurou a UBS com quadro de febre não aferida, cefaléia, dor retroorbitária, mialgia e artralgia há 48 horas. Foi prescrito dipirona, com melhora parcial dos  sintomas.
No 5º dia de doença, procurou o pronto-socorro, por persistirem os sintomas e pelo aparecimento de pequenas manchas no corpo. Referia viagem à Rondônia em 6/12/2004. Antecedentes: Diabetes Melitus II, tratado irregularmente.
Exame Físico Geral - Regular estado geral, corado, hidratado, anictérico. Temperatura axilar de 38ºC, PA:  160x110mmHg;  Freqüência  cardíaca:  94bpm;  Peso:  105kg;  Estatura:  1,70m.  Pele:  exantema maculopapular difuso (?). Segmento cefálico: sem alterações. Tórax: pulmões livres. Coração: bulhas rítmicas normofonéticas, sopro sistólico de ++/6 em foco mitral. Abdome: globoso, normotenso, indolor, sem visceromegalias. Neurológico: sem alterações. Prova do laço: positiva.
Exames complementares – Hemograma: Hb: 16g/dL; Ht: 48%; Plaquetas: 87.000/ mm3; Leucócitos
totais: 5.200/mm3.

Questões
1. Quais são as hipóteses diagnósticas para o caso, no quinto dia de doença?
2. Destaque cinco elementos no quadro clínico e laboratorial que sustentam suas duas principais hipóteses diagnósticas.
3. Comente o atendimento clínico deste paciente, no quinto dia de doença.


Respostas
Resposta 1
a)  Dengue,  febre  amarela,  malária,  sarampo,  rubéola,  leptospirose,  febre  tifóide, riquetisioses, mononucleose infecciosa, endocardite infecciosa, riquetsioses
b) Farmacodermias

Resposta 2.
a)  Malária: epidemiologia, febre, cefaléia, plaquetopenia.
b) Dengue: epidemiologia, febre, cefaléia, artralgia, dor retroorbitária, PL+, hemoconcentração (Hematócrito esperado é até 45%), plaquetopenia.

Resposta 3
Faltou melhor avaliação epidemiológica.
Faltou avaliação de PAdeitado e sentado.
Não  foi  valorizado  o  relato  do  paciente  de  ser  portador  de  diabetes,  não  sendo  no momento solicitado exames complementares ( glicemia e outros de interesse).
Abordagem da HAS.
Não foi solicitado pesquisa de plasmodium.
Comentar a dificuldade de se visualizar o exantema em indivíduos de raça negra.


Conduta – Prescrito soro caseiro para reidratação em casa, paracetamol 750mg de 6/6 horas e retorno em 48 horas para reavaliação. Como não houve melhora da mioartralgia, fez uso de diclofenaco, 100mg de 6/6 h, por conta própria. No 6º dia de doença, o paciente retornou sem melhora dos sintomas, referindo vômitos persistentes e inapetência. Referiu vacina contra febre amarela há dois anos.

Exame  Físico  Geral  -  Regular  estado  geral,  desidratado  +/4,  anictérico,  acianótico.

Temperatura  axilar  de  37,5ºC, PA deitado:  150x110mmHg; Pulso:  100  ppm. Segmento cefálico, tórax e abdome: inalterado em relação ao anterior. Neurológico: sem alterações.
Exames Complementares – Hemograma: Hb: 16,5g/dL; Ht: 50%; Plaquetas: 72.000/ mm3;
Leucócitos  totais:  5.500/mm3  .  Função  hepática: ALT:  95  UI/L, AST:  86  UI/L.  Glicose:
200mg/dl.

Conduta – Internado para reidratação parenteral. Prescrito soro fisiológico 1.000ml em 2 horas, metoclopramida e dipirona, além de oferta de líquidos via oral e dos medicamentos para  hipertensão  arterial  sistêmica  e  Diabetes  melittus  II.  Mantido  soro  fisiológico  nas próximas 24h, perfazendo um total de 5.000ml. No 2º dia de internação referia melhora dos sintomas.

Exames Complementares – Hemograma: Hb: 14,5g/dL; Ht: 44%; Plaq: 85.000/mm3 .No terceiro dia de internação, recebeu alta e foi orientado a manter reidratação em casa e a retornar em 24 horas, para nova  coleta de hematócrito e plaquetas. No retorno referia melhora dos sintomas.
Exames Complementares - Hemograma: Hb: 14,0g/dL; Ht: 42%; Plaquetas: 100.000/mm3.
Conduta – Colhida sorologia para dengue e alta. Resultado da sorologia para dengue IgM positivo.


Questões
1. Comente a conduta tomada no quinto dia de doença.
2. Dê o estadiamento evolutivo do caso na internação no quinto e sexto dia de doença.
3. Comente a conduta tomada para o caso, durante a internação. Você faria diferente?

Atividade 1
1. Proponha um protocolo mínimo para o atendimento de um caso suspeito de dengue
(anamnese e exame físico).


Repostas
Resposta 1
Aabordagem da doença de base (Diabetes mellitus II e Hipertensão Arterial istêmica) foi inadequada.  O paciente não deveria ter sido mandado para casa.  Comentar o uso do antitérmicos: por que não utilizar salicilatos, outros antitérmicos podem ser utilizados (dipirona).

Resposta 2
Grupo C na internação / grupo B no 5º dia

Resposta 3
Hidratação: volume, velocidade de infusão, tipo de  cristalóide.
Cuidados com a hidratação em pacientes cardiopatas.
Monitoração dos dados vitais.

Atividade 1

Resposta 1
Anamnese
Identificação - Sexo, idade, raça, procedência, residência, profissão, local de trabalho ou estudo.
História da doença  atual -  Caracterização  da  febre (início,  duração,  temperatura), procurar outros sintomas de dengue, manifestações hemorrágicas (ciclo menstrual em  mulheres,  gengivorragia  ao  escovar  os  dentes),  procurar  por  sinais  de alarme.Gestação, se mulher.
História  epidemiológica  -  Casos  similares  na  área.  História  patológica  pregressa:
episódio anterior de dengue, diabetes, hipertensão, outras doenças e história vacinal.
Exame Físico Geral (somatoscopia) – Estado geral,temperatura, hidratação, mucosas, lesões  de  pele,  perfusão  periférica,  irritabilidade,  sonolência,  edemas.  Segmento cefálico: gânglios, orofaringe. Aparelho respiratório: FR, ausculta, percussão. Aparelho circulatório: FC, amplitude de pulso, ausculta cardíaca, PA sentado e deitado. Abdome: palpação,  percussão.  Neurológico:  irritação  meníngea,  sinais  de  comprometimento encefálico.  Extremidades: petéquias. Prova do laço.

Fonte: portal.saude.gov.br




Dengue - Caso Clínico 2

Dengue - Caso Clínico 2


Identificação – A. F. A., feminino, 26 anos, residente em Fortaleza, CE.
História da Doença Atual – Em 17/3/2005 a paciente procurou a Unidade Básica de Saúde (UBS) queixando-se de febre alta, de início abrupto, acompanhada de cefaléia intensa,  mal-estar  geral,  dor  retro-orbitária,  náuseas,  vômitos  e  dois  episódios  de evacuações líquidas, com início do quadro há três dias. Achava que estava com dengue. 

Paciente na 29ª semana de gestação. Negava perdas de sangue via vaginal.

Exame Físico Geral - Bom estado geral, corada, hidratada, anictérica. Temperatura axilar de 39ºC, PA deitada: 120x80mmHg; Pulso: 100ppm. Pele: sem lesões. Segmento cefálico e  tórax:  sem  alterações. Abdome:  gravídico,  normotenso,  indolor.  Neurológico:  sem alterações. Feita a hipótese diagnóstica de dengue, o médico realizou a prova do laço da seguinte maneira: com a paciente deitada, insuflou o manguito do esfigmomanômetro até 150mmHg por cinco minutos. Aseguir, desinsuflou o manguito e, num quadrado de 2,5cm por 2,5cm, não contou nenhuma petéquia. Aprova foi considerada negativa.

Questões
1. Cite pelo menos 5 hipóteses diagnósticas para o caso.
2. Destaque três elementos no quadro clínico que sustentam cada Hipótese diagnóstica.
3. Você faria alguma outra avaliação clínica do caso?
4. Por estar grávida, esta paciente tem maior risco de desenvolver formas complicadas de dengue? 
5. Que procedimentos você acrescentaria

Respostas
Resposta 1
a) Dengue
b) Influenza
c) Infecção do trato urinário
d) Meningite
e) Outras doenças infecciosas, conforme realidade epidemiológica regional

Resposta 2
a) Dengue e Influenza: febre, cefaléia, dor retroorbitária
b) Infecção do trato urinário: febre, mal estar geral, evacuações líquidas
c) Meningite: febre, cefaléia, vômitos
d) Malária: febre, cefaléia, vômitos

Resposta 3
Melhor avaliação obstétrica

Resposta 4
sim

Resposta 5
PAsentada – definir hipotensão postural
Prova do laço foi feita de forma incorreta


Conduta Terapêutica – Prescrito paracetamol 750mg de 6/6 horas, hidratação com soro caseiro  e retorno  em  48  horas  para reavaliação.  No  quarto  dia  de  doença,  a  paciente retornou referindo melhora discreta dos sintomas e aparecimento de vermelhidão no corpo, acompanhado de prurido intenso. Referia picada de mosquitos em membros inferiores três dias antes do início dos sintomas, enquanto ministrava aulas. Não se recordava de ter tido rubéola e negava contato com pessoas doentes.

Exame Físico Geral - Regular estado geral, corada, desidratada +/4, anictérica, acianótica.
Temperatura axilar de 38,5ºC, PA deitada: 110x65mmHg; Pulso: 88ppm; Peso:58kg. Pele: exantema maculopapular difuso, predominantemente em membros inferiores. Segmento cefálico  e  tórax:  sem  alterações.  Coração:  bulhas  rítmicas,  dois  tempos,  sem  sopro.
Abdome: gravídico, normotenso, indolor à palpação. Extremidades: edema de membros inferiores +/4. Neurológico: sem alterações.
Conduta - Orientada a ingerir líquidos à vontade,repouso e pasta d’água para aplicação local na pele. Solicitadas sorologias para dengue e rubéola.
Exames complementares – Hemograma: Hb: 11,6g/dL; Ht: 35%; Leucócitos: 5.600/mm3;
Plaq: 154.000/mm3; Função hepática: AST(TGO): 66 UI/l; ALT(TGP): 72 UI/l. No sexto dia de evolução, a paciente apresentava melhora  clínica, afebril, queixando-se apenas de prurido de leve intensidade. No décimo dia, já se encontrava completamente assintomática.
Sorologia para dengue IgM positivo.

Questões
1. Dê o estadiamento clínico da paciente no quarto dia de doença.
2. Comente a abordagem clínica na ocasião do retorno da paciente.
3. Comente a conduta tomada na primeira consulta e no retorno.
4. O retorno foi corretamente indicado?


Respostas
Resposta 1
Grupo A

Resposta 2
Melhorou  história  epidemiológica,  porém  o  período  de  incubação  provavelmente  não
corresponde à realidade (5 a 6 dias).
Faltou aferir PAsentada e realizar a Prova do laço no retorno da paciente. · Faltou melhorar
atendimento  obstétrico.  ·  Faltou  solicitar  a  sorologia  para  dengue,  pois  neste  caso  o
diagnóstico específico é importante.

Resposta 3
Faltou orientar a paciente sobre os sinais de alarme.

Resposta 4
Sim, desde que a paciente tenha sido bem orientada.