terça-feira, 24 de abril de 2012

Dengue em Criança - Caso Clínico 1

Dengue em Criança - Caso Clínico 1

Identificação – K.G.R.A, feminino, 4 anos de idade, residente no Município A, Bairro Nova América.
História da Doença Atual – Foi atendida na unidade básica do Programa de Saúde da Família no dia 21/12/2005, com história de dois dias de febre, recusa alimentar, hipoatividade e tosse esporádica. A mãe relata que hoje observou manchas vermelhas pelo corpo da criança. Nega vômito, diarréia ou outros sinais e sintomas.
 
Exame Físico Geral - Regular estado geral, hidratado, acianótico, eupnéico,anictérico e temperatura axilar de 39°C. Pele: exantema do tipo morbiliforme mais evidente em face e tronco. Orofaringe: hiperemiada. Otoscopia: sem alterações. Ausculta pulmonar: murmúrio vesicular presente sem ruídos adventícios. Ausculta cardiovascular: rítmo cardiaco regular, bulhas em dois tempos, normofonéticas, sem sopro. Abdome: normotenso, indolor, sem visceromegalias, ruídos hidro-aéreos presentes e normais. Neurológico: sem alterações.

Perguntas
1. Quais são as hipóteses diagnósticas que você faria para este caso?
Diagnóstico diferencial de síndrome febril aguda com exantema.
2. Há alguma informação adicional da história clínica que você considera relevante e que não foi obtida? Se sim, diga qual (quais).

Respostas
Resposta 1
a) Escarlatina, parvovirose, sarampo, dengue, enteroviroses e outras viroses (Mayaro,Oropouche)
b) Farmacodermia
 
Resposta 2
a) Sarampo: situação epidemiológica, antecedente vacinal e de infecção.
b) Dengue: antecedente epidemiológico.
c) Prova do laço (discutir limitações: a prova é um indicador de fragilidade capilar, podendo ocorrer em diversos agravos)
d) Uso pregresso de medicamentos.

Conduta Diagnóstica – O médico fez inicialmente hipótese diagnóstica de amigdalite estreptocócica. No retorno com 48 horas foi levantada a hipótese de dengue. Solicitado hemograma, sorologia e isolamento viral para dengue.
 
Conduta Terapêutica – Conduta inicial com eritromicina e dipirona. No retorno com 48 horas não havendo melhora do quadro, suspendeu eritromicina. Observação com hidratação oral e sintomáticos até resultado do hemograma.
 
Evolução – No retorno com 48 horas, apresentava vômitos (com cinco episódios ao dia), mantendo febre alta, cefaléia e exantema generalizado. A mãe refere que há mais ou menos oito dias esteve em Tocantins juntamente com a criança, onde relata casos semelhantes.
Após observação por quatro horas, houve melhora clínica, tendo alta com orientações sobre sinais de alarme e reavaliação com 24 horas.
 
Exames complementares – Leucócitos 6.000/mm3, Ht 34%, plaquetas 132.000/mm3.
 
Os fatos – O resultado da sorologia foi negativo e do isolamento viral só foi processado após três meses pelo Laboratório de Referência, em função de problemas técnicos. Como resultado, foi isolado Den-3. Pelo atraso do processamento do exame, a vigilância epidemiológica não foi capaz de detectar precocemente a introdução do vírus.


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